segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ENCONTRO INFELIZ


Quase todos os 12 irmãos do meu avô eram intrigados com ele. E os que não eram mal o cumprimentavam. Luiz Barbosa de Moura, meu avô, era um homem único. Ímpar. Foi a pessoa mais íntegra que conhecia em toda minha vida. Aliás, integridade moral sempre foi uma marca positiva nos Barbosa. Mas, problemas de herança – desde 1946, quando seu pai faleceu – criou malquerença entre os Barbosa (conto essa história, em seus pormenores, muito em breve). As terras eram “pegadas”, mas, ninguém cruzava os caminhos. Ou se evitavam ao máximo. Convivi 26 anos com o meu avô. Jamais vi fazer uma visita a um irmão e visse versa – salvo raríssimas exceções, quando um cunhado visitava vovó, que era muito querida por todos. Felizmente os filhos se falavam. Mamãe até namorou um primo. Ana Barbosa de Souza era irmã do meu avô só por parte de Pai. Caçula dos filhos do segundo casamento do meu bisavô, o patriarca Maximiano Barbosa de Moura. Ferrenha adversária do irmão, “Vicencinha”, como era conhecida, tinha sua terra vizinha a dele. Essa minha tia-avó tinha o hábito, regional, de andar por aquelas terras, poeirentas, do sertão benzendo-se ao encontrar alguma “alma” pelo caminho. Uma segunda-feira, da década de 1950, o satanás “atentou” e lá vai Vicencinha fazer sua feira em Barcelona, distante cerca de 13 quilômetros de sua casa. Inimigo de fim de feira - meu avô dizia que era “obra do demônio” - e, voltando para casa ainda pela manhã, deu de cara com Vicencinha numa curva de um lugar chamado Lagoa Seca. O encontro foi desagradavelmente casual para ambos. Com seu hábito, a mulher instintivamente elevou à testa galhos de uma planta curativa que trazia nas mãos, fazendo o sinal da cruz. O homem, furioso, esporou o cavalo em sua direção, levantando a chibata de couro, como se fosse lhe bater, dizendo:

- Estará veno o djiabo?


Felizmente não houve outra violência. E cada um seguiu seu caminho. - Chico potengy

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